sábado, 24 de fevereiro de 2018

Síria: Afinal a guerra não acabou para o Kremlin

Médio Oriente


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As famílias dos mortos revelam que os seus parentes eram pagos para cumprir esta nova onda de “internacionalismo proletário”. Por regra são antigos militares que combateram na Chechénia ou nos Balcãs.

O aparecimento de aviões russos cada vez mais modernos nos céus da Síria, como é o caso do “invisível” Su-57, e a morte de um grande número de mercenários russos são sinais evidentes de que Putin se envolve cada vez mais profundamente num conflito sem fim à vista.
Em Novembro do ano passado, Vladimir Putin anunciou o fim da guerra na Síria e a retirada das tropas russas desse país, duas promessas que ficaram por cumprir. Os confrontos continuam a não poupar sequer mulheres e crianças e o Kremlin quase se “esquecia” dos milhares de mercenários russos que lá deixou ficar.
No dia 8 de Fevereiro, Igor Strelkov, antigo “ministro da Defesa” da região separatista de Donetsk (Ucrânia), anunciou a morte de centenas de mercenários russos da empresa de segurança privada “Wagner” devido aos bombardeamentos da aviação dos Estados Unidos na região síria de Deir ez-Zor.
As primeiras reacções das autoridades russas visaram desmentir semelhante afirmação. O Ministério da Defesa, que costuma ser muito operativo em situações menos graves, não abriu a  boca. Maria Zakharova, extravagante porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia, considerou que as notícias de dezenas ou centenas de militares russos era “desinformação clássica”, admitindo apenas que morreram cinco civis russos.
Uns dias depois, o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, apela a que não se especule sobre tema, mas faz um reconhecimento curioso: “Que fazem lá [na Síria] cidadãos de França, de Inglaterra, aí combatem mercenários de todo o mundo, tropas especiais que ninguém convidou, por si sós”.
Claro que os mercenários, independentemente da nacionalidade, não perdem uma oportunidade de ganhar dinheiro com a guerra, mas, para a propaganda do Kremlin, na Rússia não há mercenários. Existem sim “homens” que, por vontade própria, desejaram ajudar a população russófona na Geórgia, na Crimeia, no Leste da Ucrânia e, agora, na Síria. Os destacamentos desses voluntários são por vezes comparados às brigadas internacionalistas que combateram na Guerra Civil espanhola de 1936-1939.
É nesta situação que se começa a falar cada vez mais da empresa de segurança privada russa “Wagner”, que, no fundo, não passa de um centro de recrutamento de mercenários, actividade proibida pelas leis da Rússia. Em consonância com as leis do país, as dezenas de “semeadores privados da morte” que ficaram feridos nos combates na Síria deveriam ser detidos à chegada ao país, mas tal não acontece. Foram cuidadosamente transportados para receber assistência médica nos hospitais do Ministério da Defesa da Rússia.
Na foto com Putin, Wagner é o último à direita
Muitas das famílias dos mortos revelam como os seus parentes foram atraídos e eram pagos para cumprir esta nova onda de “internacionalismo proletário”. Normalmente, são antigos militares que combateram na Chechénia, nos Balcãs e no Leste da Ucrânia.
Coloca-se a questão: como é possível que, num país onde a paranoia securitária é cada vez maior, se formem à margem da lei empresas como a “Wagner”?
A resposta é simples: porque são empresas criadas por pessoas ligadas a Vladimir Putin e só fazem isso com a autorização do líder.  No caso da “Wagner”, ela foi criada por Dmitri Utkin, 46 anos, oficial de tropas especiais na reserva. Após abandonar o serviço militar, passou a trabalhar para a Moran Security Group, companhia privada que se especializa da defesa de navios de carga dos ataques piratas.
Tornou-se conhecido por combater ao lado dos separatistas pró-russos no Leste da Ucrânia, onde recebeu a alcunha de “Wagner”, devido ao seu apego à estética e ideologia do Terceiro Reich, pelo gosto de aparecer de capacete nazi em público.
Em 2016, foi anunciada a sua morte, que alegadamente ocorrera perto de Donetsk, mas continua vivo e a comandar as operações dos seus homens na Síria e noutras regiões do mundo.
Não se sabe porque feitos, mas pode-se imaginar, este “senhor da morte”, recebeu a Ordem da Coragem da Rússia e apareceu ao lado de Putin, em 2016, numa cerimónia dedicada ao Dia dos Heróis da Pátria.
Mas sabe-se que é Utkin é director da companhia “Concord Management e Consulting”, propriedade de Evgueni Prigojin, conhecido como cozinheiro de Putin e um dos homens do presidente que rapidamente fizeram fortuna.
Para tentar “lavar a cara” aos mercenários russos, no Parlamento fala-se da legalização das empresas de segurança privadas como a Wagner. Isto mais parece uma tentativa de substituir tropas regulares por mercenários nos conflitos regionais, como fazem noutros países, para que o impacto da morte dos soldados não estrague a imagem do regime.
No entanto, o Kremlin parece ter cada vez mais dificuldade em responder aos desafios do caos sírio, sendo o mais grave os confrontos entre as tropas de Bashar Assad e grupos da oposição apoiados pela Turquia. Esta poderá ser uma das razões do aparecimento nos céus da Síria do caça russo de quinta geração Su-35.
P.S. Na semana passada, o Estado Islâmico reivindicou o assassinato de seis mulheres russas quando saíam de um templo ortodoxo de Kizliare, no Daguestão, uma das repúblicas muçulmanas da Federação da Rússia. Os terroristas que fugiram da Síria e do Iraque não desapareceram e estão a aparecer em força também no Afeganistão. Rússia e China que se preparem para os novos focos de instabilidade.

Pelo menos 38 mortos em dois atentados na Somália




Carros armadilhados tinham como alvo o palácio presidencial e um hotel e mataram pelo menos 38 pessoas. Al Shabaab reivindicou ataques.


SAID YUSUF WARSAME/EPA

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  • Agência Lusa
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Pelo menos 38 pessoas foram mortas, na sexta-feira, em dois atentados com carros armadilhados que visavam o palácio presidencial e um hotel da capital da Somália, informaram este sábado os serviços de resgate e policiais somalis.
“Nós temos pelo menos 38 mortos”, afirmou Abdukadir Abdurahman Aden, do serviço de ambulâncias, à agência de notícias francesa AFP, que na sexta-feira tinha anunciado um primeiro balanço provisório de 18 mortos.
A primeira explosão, seguida de um tiroteio com armas automáticas, atingiu um posto de controlo perto da Villa Somalia, a sede do Governo, e pouco depois uma segunda explosão ocorreu próximo do hotel Doorbin.
“Posso confirmar que ocorreu um ataque perto do palácio presidencial”, disse Ibrahim Mohamed, um oficial da polícia somali.
“Outro carro carregado de explosivos detonou perto de um hotel recém-inaugurado”, referiu ainda Mohamed.
De acordo com um oficial das forças de segurança, Abdulahi Ahmed, cinco dos atacantes foram mortos por agentes governamentais e “a situação está de volta ao normal”.
O grupo extremista Al-Shabab, filiado na Al-Qaida, assumiu a responsabilidade pelos ataques num comunicado publicado na internet, afirmando que visava o Governo e as forças de segurança somalis.
O Al-Shabab tem tentado, desde 2007, derrubar o frágil Governo central da Somália, apoiado pela comunidade internacional e por mais de 20 mil soldados da força da União Africana (UA), composta por elementos vindos do Uganda, Burundi, Djibouti, Quénia e Etiópia.

Defensoria do Rio de Janeiro acusa exército de fazer fichas ilegais de cidadãos



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Defensoria Pública do Estado brasileiro do Rio de Janeiro manifestou a sua "veemente discordância" com as chamadas "ações ilegais de fichamento" levadas a cabo por militares das Forças Armadas.


Antonio Lacerda/EPA

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  • Agência Lusa
A Defensoria Pública do Estado brasileiro do Rio de Janeiro manifestou este sábado a sua “veemente discordância” com as chamadas “ações ilegais de fichamento” levadas a cabo por militares das Forças Armadas em três comunidades.
Segundo relatos da imprensa do Rio, os soldados estão a registar com telemóveis “o documento de identidade e o rosto de todas as pessoas que passam” nas comunidades Vila Kennedy, Vila Aliança e Coreia, todas na zona oeste do Rio.
Um porta-voz do exército já garantiu que o “fichamento” é um “procedimento feito regularmente, legal, cuja finalidade é agilizar a checagem de dados junto aos bancos de dados da Secretaria de Segurança”, mas a medida está a ser fortemente contestada por líderes da comunidades e pela imprensa. A Defensoria, que funciona em moldes semelhantes ao Provedor da República em Portugal, juntou-se hoje aos que contestam a atuação do exérciro.
A abordagem generalizada de cidadãos está em manifesto desacordo com a Constituição Federal e configura violação dos direitos fundamentais”, avisa a Defensoria Pública, um órgão do Poder Executivo do Estado do Rio de Janeiro que tem como atribuição a defesa dos necessitados perante os órgãos da Justiça estadual.
De acordo com o ordenamento jurídico brasileiro, refere a Defensoria num comunicado divulgado online, “a abordagem pessoal por qualquer agente de segurança só é permitida quando há razões concretas e objetivas para a suspeita de que o indivíduo esteja portando bem ilícito ou praticando algum delito. O fato de se morar em uma comunidade pobre não é razão suficiente para este tipo de suspeita”.
A Defensoria lembra ainda que a lei brasileira também estabelece que nenhum cidadão seja submetido à identificação criminal se estiver devidamente documentado. “Trata-se, portanto, de grave violação dos direitos à intimidade e a liberdade de locomoção”, conclui a Defensoria.
O Presidente do Brasil, Michel Temer, decretou na semana passada uma intervenção sem precedentes na área de segurança pública do Rio de Janeiro, passando o comando das polícias para um general do Exército, situação que deverá durar até 31 de dezembro.

Governador da Flórida quer um polícia em cada escola após massacre de Parkland





Estados Unidos da América


Rick Scott propôs elevar idade mínima para comprar armas para os 21 anos e a colocação de um agente de polícia em cada escola. Atirador do tiroteio de Parkland tinha 19 anos.

GIORGIO VIERA/EPA
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  • Agência Lusa
O governador da Flórida defendeu esta sexta-feira a subida para 21 anos da idade mínima para a compra de qualquer tipo de arma e manifestou a vontade de ter pelo menos um polícia em cada escola.
Nove dias depois do massacre na escola secundária de Parkland, em que morreram 17 pessoas, o republicano Rick Scott apresentou propostas destinadas a aumentar as restrições para a compra de armas e a fortalecer as medidas de segurança escolar.
O governador garante que irá trabalhar com os legisladores estaduais durante as próximas duas semanas para elevar para 21 anos a idade mínima para a compra de qualquer tipo de arma na Flórida, com algumas exceções para jovens militares e agentes da lei.
Atualmente, algumas armas como a de assalto usado no ataque de 14 de fevereiro, podem ser compradas por pessoas que tenham mais de 18 anos.
O governador republicano disse ainda que mudará as leis para tornar “virtualmente impossível para qualquer um que tenha problemas mentais usar uma arma”.
Scott quer proibir a venda dos chamados ‘bump stocks’, acessórios que transformam uma arma semiautomática numa arma capaz de disparar centenas de tiros por minuto.
O republicano, que enquanto candidato recebeu o apoio da Associação Nacional de Armas, a poderosa NRA, e alcançou seu maior índice de aprovação por apoiar o direito às armas, pediu a presença obrigatória de pelo menos um agente da lei em todas as escolas públicas e um “treinamento de tiro ativo” também obrigatório para alunos e corpo docente.
Nikolas Cruz, de 19 anos, matou a tiro 17 pessoas, no passado dia 14 de fevereiro, na escola secundária de Parkland, naquele que foi o décimo oitavo incidente com armas de fogo em escolas ou locais próximos de estabelecimentos de ensino nos Estados Unidos, desde o início do ano.
O tiroteio abriu um debate sobre a posse de armas na América, com o presidente Donald Trump a manifestar a intenção de dar armas aos professores para prevenir mais incidentes nas escolas, dizendo que a medida abrangeria docentes com “treino especial” e “solucionaria o problema instantaneamente”.

FBI recebeu denúncia telefónica sobre atirador da Florida: “Ele vai explodir”


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Uma denúncia telefónica de 13 minutos alertava a polícia federal para a possibilidade de Nikolas Cruz, o atirador que matou 17 pessoas na Marjory Stoneman Douglas, poder invadir a escola e matar.


JenniferTintner/Twitter

14 de fevereiro. Nikolas Cruz, 19 anos, assassinou a tiro (com uma espingarda semi-automática AR-15) 17 pessoas, entre estudantes e professores, na Marjory Stoneman Douglas High School, na Florida. No começo do ano, a 5 de janeiro, o FBI recebeu uma chamada que alertava: “Ele vai explodir, sei que vai”. Ele era Nikolas. A chamada foi agora transcrita pelo jornal New York Times.
A polícia federal foi informada na denúncia (a chamada durou 13 minutos) que o atirador da Florida tinha armamento, munições, e poderia “invadir a escola e começar a disparar”, garantindo a fonte da denúncia anónima que Nikolas Cruz sofria de perturbações psicológicas e representava um perigo para os outros. A situação de Nikolas, explicava-se na denúncia, agravara-se aquando da morte da sua mãe, em novembro, utilizando o atirador o dinheiro do seguro de vida para adquirir mais e mais armas. “Vão às contas de Instagram dele e vão ver as armas todas”, concluía a pessoa que fez a denúncia.
Esta foi a segunda denúncia que o FBI ignorou a propósito de Nikolas Cruz. Também em janeiro, uma primeira mensagem enviada à polícia federal explicava que o atirador da Florida tinha “desejo por matar pessoas, comportamento errático e publicações perturbadoras nas redes sociais”, acrescentando o informador que Nikolas “poderia fazer um tiroteio na escola”.
O FBI veio, a propósito dessa primeira denúncia, dizer que os protocolos não foram seguidos e que, por isso, não foi iniciada qualquer investigação. Sobre a mais recente gravação publicada pelo New York Times o FBI ainda não se pronunciou.

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